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Histórico
O Gambá surgiu do bate-papo apaixonado de alguns sonhadores que desejavam rever as relações entre os seres humanos e a natureza. Era começo dos anos 80 e chegava ao fim a fase da ditadura militar, marcada pelo fim das liberdades políticas, quando as pessoas eram proibidas de se organizarem em associações e sindicatos. Muitas pessoas que tinham sido duramente reprimidas por serem contra o regime militar encontraram na militância pela preservação da natureza um novo ânimo e uma nova disposição de luta por mudanças na sociedade.
Naquele momento, estourava no mundo a preocupação com o futuro do planeta já que a natureza começava a dar sinais claros de que os recursos naturais não eram infinitos como se acreditava. Era urgente salvar a natureza da ganância do capitalismo e da insensatez humana.
O sonho daquelas pessoas que se reuniam regularmente em praças, parques, playgrounds e em qualquer lugar possível foi concretizado no dia 14 de abril 1982 quando os 11 sócios fundadores assinaram a ata de fundação da entidade. A partir daí, o grupo cresceu em número de associados, na seriedade das lutas, na sua postura ética, nos seus erros e acertos e na sua ousadia.
O nome do grupo foi sugerido pelo colaborador Hermano Penalva. Um nome polêmico, pois muitos insistiam em dizer Gamba, mas acabou prevalecendo a sigla Gambá, fazendo lembrar aquele bichinho, aparentemente inofensivo, que, ao ser provocado solta um cheiro forte capaz de afugentar até animais valentes, como a onça. O Gambá tem enfrentado e incomodado, ao longo da sua história, muitos "bichos" inconvenientes por não se comportarem de forma ecologicamente correta.
As primeiras lutas do Gambá foram para chamar a atenção da sociedade baiana para a riqueza do seu patrimônio natural e para o esgotamento de recursos como a água, a Mata Atlântica e seus ecossistemas associados, como dunas, lagoas e manguezais e os graves problemas causados pela poluição industrial, pela exploração de urânio e suas conseqüências.
Além de sacudir a sociedade para despertar diante de tantos problemas ambientais, o Gambá atuou firmemente frente aos poderes públicos para a criação de instrumentos legislativos, executivos e judiciários que garantissem um modelo econômico baseado no desenvolvimento sustentável e na proteção da natureza para as futuras gerações.
Nos primeiros anos as atividades do Gambá foram marcadas por denúncias e protestos. Aos poucos o grupo engajou-se nas discussões das políticas públicas de forma mais propositiva, participando de conselhos e comissões, nas três esferas governamentais.
No decorrer da história, o amadurecimento do grupo aponta para o desenvolvimento de projetos demonstrativos como uma estratégia de ação que visa superar a simples denúncia e instaurar práticas sustentáveis nos aspectos sócio-culturais e econômicos, especialmente nas áreas de conservação de ecossistemas, acompanhamento de políticas públicas e formação de cidadania.
Até o início dos anos 90, as ações do Gambá foram baseadas no trabalho voluntário, hoje a organização conta com uma competente equipe de profissionais nas áreas técnicas, políticas e administrativas e conquistou credibilidade e reconhecimento, além de ser também referência nacional na área ambiental.
Confira a retrospectiva do Gambá