05/05/2026

Organizados para fortalecer a luta por justiça climática e por uma transição energética justa, dezenas de movimentos populares, comunidades tradicionais, organizações sociais, agricultoras, agricultores familiares, pesquisadoras(es) e coletivos se reuniram em Morro do Chapéu no Encontro sobre Energias Renováveis e Salvaguardas Socioambientais na Bahia. Realizado nos dias 09 e 10 de abril, a atividade reuniu cerca de 40 participantes, que debateram os desafios da questão energética no estado e apontaram caminhos e proposições para construção de um outro modelo energético para o país.
A programação do evento contou com espaços de diálogo e troca de experiências entre as comunidades e organizações, que também estão se articulando em torno do Movimento dos Atingidos e Atingidas pelas Renováveis (MAR), uma importante organização que tem se estruturado no país, em especial no Nordeste, para enfrentar os impactos dos megaprojetos de energia solar e eólica na nossa região. Na oportunidade, também foi realizada uma Audiência Pública sobre o tema, que contou com a presença de representantes do poder público local e do governo do estado, em especial do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), que pôde ouvir as denúncias das comunidades sobre as diversas violações de direitos envolvidas nos processos de construção dos empreendimentos.
Querem produzir energia no meu quintal, e agora?
Além disso, foi lançada oficialmente no encontro a cartilha “Querem produzir energia no meu quintal, e agora?”. Produzida pelo Gambá com apoio do Fundo Casa Socioambiental, do Coletivo Nordeste Potência e do Instituto Clima e Sociedade, o material busca contribuir com o debate sobre as Salvaguardas Socioambientais para Energias Renováveis apontando orientações para fortalecer a organização popular nas comunidades afetadas pelos grandes empreendimentos do setor.
De forma didática, a cartilha apresenta alguns dos pontos centrais sobre a questão energética no país e como os territórios podem se resguardar de possíveis abusos e violações na relação com as empresas que se instalam em suas terras. Para baixar a cartilha, clique aqui.

Para Edimario Oliveira Machado, da direção da União Municipal em Benefício de UIBAÍ (UMBU), o encontro foi muito importante para as pessoas e instituições que lutam em defesa do patrimônio natural e dos direitos das comunidades afetadas por empreendimentos de produção de energia eólica e solar.
“Isoladas em suas lutas, as pessoas se sentem fragilizadas e inseguras. A interação com lideranças de outras regiões, propiciada pelo encontro, contribuiu para fortalecer as pessoas, elevando sua autoconfiança”, destaca Edimario.
“Os trabalhos de grupo realizados foram pontos fortes do encontro e nivelaram conhecimento sobre os principais problemas levantados pelos participantes. Um aspecto que considero muito relevante foi o trabalho de redação da carta do evento, documento que sintetiza as visões dos participantes sobre o tratamento a ser dado a cada um dos pontos de preocupação identificados no encontro”, completa.
Carta política
Um dos principais resultados do encontro foi a produção da Carta Política sobre Energias Renováveis e Salvaguardas Socioambientais. Assinada por mais de 30 organizações e coletivos, o documento apresenta uma análise sobre o panorama da questão energética no estado e aponta compromissos e proposições para a defesa da justiça climática e uma transição energética justa, popular, territorial e democrática na Bahia.
“Defendemos que a política energética brasileira, e, em especial, a política energética na Bahia, deve ser orientada por critérios de justiça, equidade e sustentabilidade real, o que implica reconhecer os limites ecológicos dos territórios, interromper processos de expansão que geram injustiça socioambiental e garantir que qualquer iniciativa energética esteja subordinada à vida, e não ao mercado”, destaca o documento.

Renato Cunha, coordenador do Gambá, ressalta a necessidade de levar este documento para órgãos públicos e candidatos às eleições deste ano.
“As Salvaguardas foram analisadas e é preciso que sejam implementadas pelas autoridades. Elaboramos uma carta, uma carta política, para que seja um documento para também a incidência política, não só das autoridades atuais, como dos candidatos às eleições deste ano”, aponta. Acesse a Carta Política completa aqui.
Renovados com a energia que só a luta coletiva nos proporciona, saímos do encontro mais unidos e fortalecidos, com a certeza de que a defesa do meio ambiente e das comunidades se faz com muito diálogo, organização e pressão popular!