Ações contra a expansão da monocultura do eucalipto

No final dos anos 80, começou a ser implantada no Extremo Sul da Bahia uma plantação extensiva de eucalipto, visando transformar a região numa grande produtora de matéria prima florestal para produção de celulose. A região foi definida pelo Governo Federal em 1977, na gestão do presidente Ernesto Geisel, sendo governador da Bahia Roberto Santos, para ser um Distrito Florestal para viabilizar o Plano Nacional de Papel e Celulose, aprovado em 1974.

A região que, até os anos 40, era praticamente coberta por matas nativas do bioma Mata Atlântica começou a sofrer um forte desmatamento a partir dessa data.

Com a abertura da rodovia federal BR101, o transporte na região fica mais acessível e, entre outros impactos positivos e negativos, fomentou mais ainda o processo de desmatamento e o transporte de madeira para o centro sul do país, tanto para o uso na construção civil e marcenaria, como para abastecer a indústria siderúrgica no vizinho estado de Minas Gerais. Grandes extensões de terras foram desmatadas e utilizadas para o plantio de eucalipto e para a pecuária.

Figura 01. Mapas da evolução do desmatamento no Extremo Sul da Bahia, Brasil. Fonte: Ceplac

A primeira fábrica de celulose foi implantada em Muruci, município vizinho ao Estado do Espírito Santo, pela Bahia Sul Celulose, hoje denominada Suzano, que iniciou sua produção no final dos anos 80. No início da década de 90, dois novos empreendimentos chegaram à região: (1) a Aracruz Celulose, hoje denominada Fibria, que começou a ampliar seu plantio de eucalipto na Bahia para atender a fábrica localizada no Espírito Santo e (2) a Veracel, que iniciou o plantio nesta época e construiu em 2005 uma fábrica em Eunápolis. Hoje estima-se (dados do antigo IMA – Instituto de Meio Ambiente, atual INEMA, ambos vinculados à Secretaria do Meio Ambiente) que na região tenha cerca de 410 mil ha plantados, o que significa cerca de 13% da região do Extremo Sul da Bahia.

O Gambá, desde esta época, sempre em articulação com ONGs locais e nacionais, e com os movimentos sociais da região, vem monitorando estes empreendimentos,   através da participação nos eventos do Fórum Socioambiental do Extremo Sul e da Rede Alerta Contra o Deserto Verde, na discussão e divulgação de informações sobre o assunto e sistematicamente adotando uma posição contrária à expansão desta monocultura,

Como conselheiro do Cepram, participou dos processos de licenciamento desses empreendimentos, posicionando-se de forma crítica e votando contra a expansão da monocultura e a implantação das fábricas de celulose como previsto nos projetos apresentados.

Em 2009, o Gambá foi convidado pela ONG holandesa Both END para realizar um estudo específico sobre a Veracel, para subsidiar o projeto de monitoramento do BEI – Banco Europeu de Investimentos por ela desenvolvido, já que a empresa teve financiamento deste Banco.

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Reserva Jequitibá – Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, Serra da Jibóia, Elísio Medrado/BA